Acreditamos que somos racionais o tempo todo, que fazemos uma análise crítica dos fatos e variáveis disponíveis para tomarmos as melhores decisões, da forma mais lógica possível. No entanto, a verdade é um tanto diferente e muitas das nossas decisões são influenciadas pelo emocional. E infelizmente, isso também ocorre no momento que escolhemos nossos investimentos.

Esse papel do inconsciente, que desvia nossas escolhas da racionalidade, é a base do trabalho do prêmio Nobel de economia deste ano. O economista americano Richard Thaler, professor da Universidade de Chicago, gastou boa parte de sua carreira pesquisando como o nosso inconsciente atua quando fazemos escolhas. Principalmente escolhas com dinheiro.

Não somos tão racionais assim

Lá na primeira metade do século 20, os economistas precisavam descrever como as pessoas tomavam decisões, para que pudessem criar teorias sobre os fenômenos econômicos. E assim se criou a teoria da racionalidade, onde os indivíduos tomam as melhores decisões sempre.

Para os economistas clássicos, os humanos são máquinas super capazes de processar informações. Mas a prática mostra que as pessoas são bem menos racionais do que a teoria propõe.

Um exemplo bastante interessante dado por Thaler e que contradiz o que os economistas dizem, é o caso de um casal que vem poupando dinheiro para comprar uma casa. Mensalmente eles investem uma parte de seus salários de forma a construírem patrimônio para um dia comprarem a sonhada casa. Num determinando momento, o marido fica doente e, ao invés do casal utilizar parte dos recursos poupados para pagar o tratamento de saúde, opta por contrair um empréstimo bancário com juros altos, pois não queria mexer nas economias feitas para a realização de um sonho.

A teoria econômica não previa essa situação, pois o mais racional seria utilizar as economias inicialmente destinadas à compra da casa, para custear o tratamento de saúde. Esta seria a opção mais barata. No entanto, frequentemente as pessoas se desviam do comportamento racional.

Os vieses da irracionalidade

Ao longo de sua vida acadêmica Thaler ajudou a catalogar alguns dos vieses mais comuns de irracionalidade cometidos pelas pessoas, listamos abaixo os mais interessantes para o comportamento do investidor:

  • Inércia: Fazer nada é sempre a escolha mais fácil. Pessoas que querem poupar para a aposentadoria sempre empurram o problema com a barriga: “mês que vem eu começo”, “esse mês vou por menos” e assim por diante;
  • Miopia: É difícil para nós seres humanos, visualizarmos o futuro com clareza. Sempre demoramos muito para tomar decisões que já deveriam ter sido tomadas muito antes (fazer um regime antes de chegarmos ao sobrepeso);
  • Aversão a perda: Se você ganhar R$10,00, você fica feliz. Mas se você perder os R$10,00, a sua perda vai lhe causar um impacto emocional muito maior do que aquele criado pelo ganho;
  • Falácia do jogador: As pessoas acreditam que o futuro vai ser bastante parecido com o passado, então se elas estão em uma aplicação financeira que só traz bons retornos, como uma ação de uma empresa, elas acham que vão continuar tendo esses ganhos para sempre.

As pesquisas mostram que mesmo os bons investidores, de vez em quando, deixam os vieses listados atrapalharem suas decisões. O que significa perder dinheiro.

Como se defender desses vilões do inconsciente que nos causam prejuízos?

Reconheça que é possível errar: o primeiro passo é reconhecer que estamos sujeitos a cometer esses erros com os nossos investimentos, que não somos tão racionais e inteligentes como pensamos ser.

Crie hábitos: o segundo passo é ter disciplina: se você quer construir patrimônio, precisa poupar e investir com frequência. Poupe com assiduidade, mesmo que pouco dinheiro, de preferência com uma periodicidade predefinida. Repita sempre, torne isso um hábito.

Peça ajuda para um profissional: Uma maneira de mitigar as armadilhas do seu subconsciente é escolher profissionais para gerir seus investimentos. Por exemplo, ao escolher investir num fundo você pode evitar vários dos vieses acima descritos. Em primeiro lugar, os bons gestores possuem um processo de investimentos bem estabelecido, o que traz disciplina ao processo de tomada de decisão. Além disso, os casos de investimentos são debatidos em equipe, o que praticamente elimina as distorções emocionais individuais.

Fazer uma poupança de longo prazo é uma necessidade dos indivíduos e famílias. No entanto, não fazemos isso de forma racional em 100% do tempo. Para evitar que as emoções atrapalhem seus objetivos financeiros você precisa de disciplina. Para tanto, a melhor sugestão é investir em fundos com longo e sólido histórico de desempenho, cujos gestores possuam um eficaz processo de investimentos e que tenham incentivos alinhados com o interesse do investidor.

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