Está é a primeira de duas partes de um artigo especialmente criado para ajudá-lo a entender o momento vivido no Brasil.

Nos últimos 2 anos e meio, o Brasil conviveu com a pior recessão de sua história. O desemprego bateu recordes, a inflação disparou para níveis perigosos, a taxa de juros teve que subir e o PIB despencou mais de 7,4% entre o começo 2015 e o final de 2016. Sem falar da bolsa e do Real, a primeira derreteu e destruiu bilhões de reais em valor de mercado das empresas, enquanto o segundo bateu recordes de desvalorização.

A crise foi fruto de sucessivos desequilíbrios fiscais praticados desde 2009 e reforçados perigosamente nos mandatos da presidente Dilma Rousseff (falamos muito disso na nossa última carta). O país que vinha sendo fiscalmente responsável, virou um adolescente rebelde e gastou muito mais do que podia. A dívida pública acelerou para níveis altíssimos e, em 2015, a situação chegou ao extremo de se discutir a possibilidade de um calote da dívida pública.

Em meados de 2016 aconteceu o Impeachment, Dilma sai, Temer assume e coloca uma equipe econômica responsável e comprometida em retornar a economia brasileira para uma trajetória saudável. Importantes reformas são levadas ao congresso e são aprovadas, como o teto de gastos que, enfim, limita a irresponsabilidade fiscal dos governantes, colocando uma trava no crescimento real do gasto público. Temer já se consolidou como um reformista econômico, alterando a estrutura da economia brasileira, para melhor.

As reformas somadas a natural recuperação da atividade econômica (afinal, nenhuma economia que não sofre de um mal crônico, vai afundar para sempre) trouxeram de volta o crescimento do PIB e o paciente, que antes estava na UTI, já vislumbra uma alta.

Os próximos gráficos mostram visualmente como a recuperação econômica está acontecendo, de forma disseminada e sustentada, por toda a economia brasileira.

1. Bolsa – A campeã da recuperação

Os investidores perceberam que viria uma melhora no resultado das empresas, que se consolidou nos primeiros trimestres de 2017, logo isso já começou a ser refletido lá atrás, 1 ano antes em 2016, o que desencadeou essa espetacular melhora da bolsa (já falamos muito sobre o porquê ações são o melhor investimento possível para esse momento da economia brasileira).

2. Inflação – literalmente caiu do céu

Qualquer brasileiro com mais de 30 anos de idade conviveu diariamente com uma inflação elevada e bem sabe seus malefícios. Em 2015 tivemos inflação de dois dígitos, fruto do represamento de preços e descontrole fiscal.

Com a mudança na equipe do Banco Central que manteve a taxa de juros em patamares elevados, somado aos impactos da crise sobre o consumo e investimento e um bocado de sorte com as excelentes safras de alimentos, conseguimos trazer a inflação para níveis novamente civilizados.

A inflação acumulada dos últimos 12 meses se encontra agora em 2,45%a.a. Apenas para efeito de comparação em dezembro de 2015 a inflação acumulada era de quase 11%a.a.

3. Taxa de Juros (Selic) – Se a inflação cai, essa vem a reboque

O grande desequilíbrio fiscal aliado, no segundo mandato de Dilma, à liberação dos preços represados pelo governo, fez com inflação explodisse. Com o objetivo de tentar minimizar os impactos, o Banco Central precisou trazer a taxa de juros para elevadíssimos patamares.

Porém com a chegada do novo governo, com uma equipe comprometida com a baixa da inflação no Banco Central, uma política de preços livres por partes das empresas estatais, a aprovação da PEC do teto de gastos e uma dinâmica benéfica de inflação (excelentes safras ajudaram a segurar e muito o preço dos alimentos) fez com voltássemos a respirar ares normais. A consequência foi a forte queda da taxa Selic.

4. Emprego – O Começo do fim do sofrimento

A dinâmica do emprego na recuperação de uma crise carrega um fator que os economistas chamam de “defasagem”. Em bom português, quando a economia para de piorar, o emprego ainda vai piorar mais alguns meses. Depois quando a economia começar a subir mais forte o emprego começa a sua subida, porém de forma mais tímida. Estamos presenciando exatamente isso no momento. A economia começando a crescer mais fortemente e o emprego começando a mostrar algum fôlego.

O gráfico abaixo traz os dados de criação líquida de vagas, isto é: Contratados – Demitidos. Até agora estamos vendo uma virada acontecendo no emprego em 2017.

5. Industria – Melhora é positiva, mas o sofrimento persiste

Se tivéssemos que eleger um setor que mais sofreu com a crise, com certeza, escolheríamos a indústria. A atividade industrial já não andava bem antes da crise. A recessão apenas afogou a indústria que já estava presa no fundo do poço. Porém, ao longo dos últimos meses estamos vendo uma recuperação, tímida, da produção industrial:

Apesar de os dados mostrarem que estamos realmente fora da recessão, ainda estamos bem distante de recuperarmos o padrão de consumo e investimento que tínhamos em 2014. Segundo dados do FMI, só voltaremos a esses níveis pré-crise em 2022. Mas caso a tendência de recuperação continue forte, provavelmente chegaremos lá antes.

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